Dia da Mulher: mulheres já são maioria na Medicina Veterinária no Brasil

No Brasil, seis em cada dez médicas veterinárias já são maioria na profissão. Mais do que um dado estatístico, esse número revela histórias de dedicação, superação e paixão pelo cuidado com a vida. Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos não apenas a presença feminina, mas o impacto transformador dessas profissionais na Medicina Veterinária brasileira, na ciência, no ensino, na gestão e no bem-estar animal.

Dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) mostram que as mulheres representam 60% dos profissionais registrados no País, consolidando uma mudança histórica no perfil da profissão veterinária.

De minoria à maioria: uma transformação na Medicina Veterinária

Até os anos 1980 e início dos anos 1990, a área era predominantemente masculina, especialmente nos segmentos ligados à produção animal, grandes animais e inspeção sanitária. As mulheres eram minoria nos cursos de graduação e tinham presença limitada em diversas especialidades.

A partir dos anos 2000, o cenário começou a mudar de forma consistente. Hoje, elas predominam nas salas de aula da graduação em Medicina Veterinária e da pós-graduação veterinária, refletindo uma transformação estrutural no setor.

Na Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, presente em 51 cidades, 87% do corpo docente e discente é composto por mulheres. Para os diretores José Carlos Feo e Francis Flosi, esse índice reforça a importância da formação acadêmica veterinária aliada à diversidade e à excelência profissional.

Protagonismo feminino em todas as especialidades

A presença feminina já não se limita à clínica de pequenos animais. As médicas veterinárias atuam com destaque em pesquisa científica veterinária, diagnóstico por imagem, gestão hospitalar veterinária, docência e especializações de alta complexidade.

A diretora pedagógica da graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Fernanda Martins, considera a profissão uma união entre ciência, tecnologia veterinária e sensibilidade Crédito Arquivo Pessoal

Para a diretora pedagógica da graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Fernanda Martins, a profissão representa a união entre ciência e tecnologia veterinária e sensibilidade:

“Dominamos a inovação e impulsionamos a evolução da medicina veterinária com competência e coragem. E, mesmo cercadas por avanços e equipamentos modernos, mantemos a sensibilidade e a compaixão no cuidado com os animais, preparando grandes profissionais. Porque ciência, tecnologia e educação ganham ainda mais força quando guiadas pelo amor.

Tenho orgulho de ser médica veterinária, mas acima de tudo, tenho orgulho de ser mulher e ter conquistado meu espaço no âmbito profissional e pessoal. Feliz Dia da Mulheres a todas as mulheres do Brasil e do mundo”, emociona-se Fernanda.

Coordenadoras reforçam protagonismo feminino na formação e na prática clínica

A coordenadora do curso de Clínica Médica e Cirúrgica de Felinos, Monica Daiha, destaca a força e a sensibilidade feminina na profissão:

A coordenadora do curso de Clínica Médica e Cirúrgica de Felinos, Monica Daiha, reforça que a força e a sensibilidade feminina são os diferenciais na carreira Crédito Arquivo Pessoal

“Na Medicina Veterinária, o poder feminino vai além do cuidado clínico. Ele está na união entre técnica e empatia, ciência e cuidado, gestão e humanidade. Celebrar o Dia Internacional da Mulher é reconhecer trajetórias de coragem, dedicação e inovação, além de reforçar a importância de promover igualdade e oportunidades para todas as profissionais.”

A coordenadora de Endocrinologia e Reprodução de Pequenos Animais, Ana Nery, reforça o orgulho de fazer parte dessa maioria crescente:

A coordenadora de Endocrinologia e Reprodução de Pequenos Animais, Ana Nery, sente orgulho de fazer parte da maioria crescente das mulheres na Veterinária Crédito Arquivo Pessoal

Nós somos a maioria na Medicina Veterinária, representando cerca de 56 a 60% dos profissionais da área. Estamos em destaque em diversas especialidades clínicas e também na pesquisa. Ainda enfrentamos desigualdades em relação aos homens, mas cada vez mais provamos nosso valor com cuidado, atenção e dedicação. Eu tenho muito orgulho em ser Mulher e Médica Veterinária. Parabéns para todas nós!”

A coordenadora do curso de Anestesiologia, Fernanda Antunes, compartilha sua visão pessoal sobre o Dia da Mulher:

Para a coordenadora do curso de Anestesiologia, Fernanda Antunes, a profissão representa orgulho e conquista Crédito Arquivo Pessoal

“O Dia da Mulher, para mim, como médica veterinária, representa orgulho e conquista. É a celebração da resistência, da força, da dedicação e da sensibilidade que levo todos os dias para o cuidado com os animais e com as pessoas que confiam no meu trabalho. É também um lembrete do quanto evoluímos na profissão, ocupando cada vez mais espaços com competência, amor e determinação. Hoje celebro não só a minha trajetória, mas a de todas as mulheres que fazem da Medicina Veterinária uma profissão mais humana e forte.”

O aumento da participação feminina acompanha a expansão do mercado pet no Brasil, que passou por forte profissionalização nas últimas duas décadas. A maior exigência por qualificação técnica, atendimento humanizado e atualização científica abriu espaço para novos perfis profissionais e ampliou oportunidades para as médicas veterinárias.

Apesar do avanço expressivo, especialistas reforçam que o próximo passo é ampliar ainda mais a presença feminina em cargos de liderança institucional, na pesquisa acadêmica e em posições estratégicas no setor.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, os números revelam mais do que representatividade. Eles evidenciam uma transformação histórica na Medicina Veterinária brasileira, que hoje se apresenta mais diversa, plural e protagonista no cuidado com os animais e no avanço da ciência veterinária.