03 de Março – Dia do Animal Selvagem e a importância da odontoestomatologia na saúde das aves

No dia 03 de março, celebramos o Dia do Animal Selvagem, uma data que reforça a importância da preservação da fauna e do equilíbrio dos ecossistemas em todo o mundo.

Esse momento nos convida a refletir sobre o papel essencial que os animais silvestres desempenham na natureza e sobre a responsabilidade que temos na proteção dessas espécies. Controlando populações, dispersando sementes e mantendo cadeias alimentares, esses animais contribuem diretamente para a biodiversidade do planeta.

No entanto, enfrentam ameaças constantes, como desmatamento, tráfico ilegal e mudanças climáticas, o que torna urgente a conscientização e a ação coletiva em prol da conservação.

No Brasil, País que abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, a proteção dos animais silvestres envolve o poder público, instituições, profissionais da área ambiental e toda a sociedade.

Muitos desses animais, quando resgatados de situações de risco, passam a viver em parques ecológicos, zoológicos, criadouros e centros de triagem, como os mantidos pelo IBAMA. Nesses ambientes, garantir qualidade de vida e bem-estar exige acompanhamento técnico especializado, incluindo cuidados médicos veterinários constantes.

É nesse contexto que a odontoestomatologia veterinária assume papel fundamental. Trata-se da especialidade voltada ao diagnóstico e tratamento das enfermidades da cavidade oral que, no caso das aves, envolve principalmente o bico.

Embora pareça uma área recente, o interesse por problemas odontológicos em animais remonta à Antiguidade.
Aristóteles já mencionava alterações dentárias em cavalos relacionadas ao regime alimentar, e Pelagonius dedicou um capítulo intitulado “De Dentibus” (“Sobre os Dentes”) em seu tratado de medicina veterinária. Isso demonstra que o cuidado com a saúde bucal animal acompanha a própria história da ciência veterinária.nós pode fazer parte dessa transformação.

Tratamento odontoestomatológico é parte essencial da saúde de aves em cativeiro — cuidar do bico é cuidar da vida Crédito Freepik.

Nas aves, o bico é uma estrutura óssea recoberta por tecido córneo, semelhante às unhas dos cães, e faz parte do início do sistema digestório. Sua forma está diretamente relacionada ao tipo de alimentação da espécie, sendo essencial para a apreensão e processamento do alimento.

Alterações nessa estrutura podem comprometer a nutrição, o comportamento e até a sobrevivência do animal. Por muito tempo, os cuidados veterinários voltados à cavidade oral foram negligenciados, mas hoje se reconhece que a avaliação periódica é indispensável, especialmente em aves mantidas em cativeiro.

Entre as principais patologias observadas estão:

  • Fraturas;
  • Crescimento excessivo do bico;
  • Deformidades congênitas;
  • Problemas nutricionais;
  • Enfermidades parasitárias (como sarna);
  • Hipovitaminose A;
  • Síndrome do Bico e das Penas (Beak and Feather Syndrome);
  • Bouba aviária;
  • Tricomoníase;
  • Singamose;
  • Candidíase.

A identificação precoce dessas alterações evita quadros de desnutrição e complicações que podem levar o animal a óbito.

Por isso, o tratamento odontoestomatológico deve integrar de forma indissociável qualquer programa de saúde voltado a aves em cativeiro, seja em instituições conservacionistas, comerciais ou ambientes urbanos.

Mais do que uma data simbólica, o Dia do Animal Selvagem reforça a necessidade de uma convivência harmoniosa entre seres humanos e natureza. Cuidar da saúde dos animais silvestres inclusive de aspectos muitas vezes invisíveis, como a saúde bucal é parte essencial do compromisso com a preservação. Pequenas ações, quando somadas, geram grande impacto. Proteger, informar e promover o cuidado adequado é investir no futuro da biodiversidade e das próximas gerações.

Autor
Francis Flosi é médico-veterinário, pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Aves e Animais Silvestres e Exóticos. É presidente do Instituto Qualittas de Pós-Graduação e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas – SP.

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