Nova lei em SP autoriza sepultamento de pets em jazigos familiares e redefine o luto na Medicina Veterinária

A sanção da nova lei no Estado de São Paulo, que autoriza o sepultamento de cães e gatos em jazigos e sepulturas familiares, marca um avanço histórico no reconhecimento do vínculo afetivo entre responsáveis e seus animais. Mais do que uma mudança legal, a medida amplia o debate sobre o luto pet como questão de saúde pública e reposiciona o papel do médico veterinário na sociedade contemporânea.

Ao permitir que pets sejam sepultados junto aos seus responsáveis, desde que respeitadas todas as normas sanitárias e ambientais, o Estado valida oficialmente uma realidade já presente em milhares de lares brasileiros: os animais são membros da família.

O reconhecimento legal da família multiespécie em São Paulo

Médicos veterinários devem ser qualificados para essa missão Crédito Freepik

A nova legislação sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas acompanha uma transformação social profunda. Famílias multiespécie deixaram de ser exceção e passaram a ocupar lugar central nas dinâmicas afetivas, emocionais e até econômicas da sociedade.

Esse reconhecimento jurídico não se limita à esfera simbólica. Ele impacta diretamente a forma como o luto pela perda de um pet é compreendido — não mais como exagero emocional, mas como uma dor legítima, comparável à perda de um ente querido.

O luto pela perda do pet como realidade nos consultórios veterinários

Validar a dor da perda também faz parte do cuidado Crédito Freepik

Para o médico veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, ao lado do diretor acadêmico da instituição, Dr. José Carlos Feo, a nova lei apenas formaliza uma vivência diária da prática clínica.

Segundo Flosi, o médico veterinário é, muitas vezes, o último profissional a estar ao lado do responsável no momento da despedida do animal, o que exige preparo técnico, emocional e ético.

“O que o responsável vive nesse momento é um luto real, legítimo e profundo. Validar essa dor também faz parte do cuidado”, destaca.

Durante décadas, o sofrimento pela perda de um pet foi socialmente minimizado. A legislação, agora, contribui para romper esse silêncio e legitimar a dor vivida por milhares de famílias.

A responsabilidade do médico-veterinário no pós-óbito animal

Com a autorização do sepultamento em jazigos familiares, cresce também a responsabilidade técnica do médico-veterinário. Cabe a esse profissional orientar os responsáveis sobre os procedimentos corretos após o óbito, assegurando o cumprimento das normas sanitárias e ambientais.

Esse novo cenário evidencia uma lacuna histórica na formação veterinária: o preparo para lidar com a morte, o luto e a comunicação de más notícias.

A Medicina Veterinária moderna exige uma atuação que vai além do sucesso clínico, incorporando acolhimento, empatia e ética no fim da vida.

Educação e humanização: um novo eixo da Medicina Veterinária

Atenta a essa demanda crescente, a Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas oferece o curso “Luto pela Perda dos Pets”, voltado a médicos-veterinários e acadêmicos da área.

A formação aborda temas essenciais como:

  • cuidados paliativos em pets
  • comunicação humanizada de más notícias
  • ética profissional no fim da vida
  • acolhimento emocional dos responsáveis
  • saúde única e impacto do luto no núcleo familiar

Para Francis Flosi, esse preparo é indispensável:

“A Medicina Veterinária precisa formar profissionais capazes de cuidar da vida, mas também de lidar com a morte de forma digna, consciente e humanizada. Isso é cuidado integral.”

Luto pet, saúde única e impacto social

O reconhecimento do luto pela perda de animais dialoga diretamente com o conceito de Saúde Única, que integra saúde animal, humana e ambiental. Ignorar o sofrimento emocional dos responsáveis pode gerar impactos psicológicos significativos, reforçando a importância do veterinário como agente de cuidado ampliado.

Ao final, a nova lei em São Paulo não trata apenas de sepultamento, mas de respeito, empatia e evolução social. Ela reforça que amar um animal é um vínculo legítimo — e que toda despedida merece dignidade.

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