Ex-ministro da Agricultura afirma que políticas de Estado, inovação e protagonismo dos jovens são fundamentais para o futuro do agro
Celebrado hoje , 28 de julho, o Dia do Agricultor é uma oportunidade para reconhecer a dedicação de quem transforma o campo em um dos principais motores da economia brasileira. Mais do que homenagear os homens e mulheres responsáveis pela produção de alimentos, a data também convida à reflexão sobre os desafios e as oportunidades do agronegócio brasileiro. Em entrevista ao Portal da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera defende que o futuro do setor depende da ampliação da segurança jurídica, da liberdade econômica, da redução da burocracia e do fortalecimento de políticas públicas permanentes que garantam competitividade ao produtor rural.
Médico-veterinário, produtor rural e ex-ministro da Agricultura entre 1990 e 1992 — o mais jovem da história a ocupar o cargo —, Antônio Cabrera também foi secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, integra o Conselho Superior do Agronegócio da FIESP, preside o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e é membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA.
Segundo ele, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o produtor rural brasileiro ainda enfrenta desafios relacionados à elevada carga tributária, à insegurança regulatória, ao acesso ao crédito rural e à falta de previsibilidade para investir. Para o ex-ministro, criar um ambiente de estabilidade é essencial para que o Brasil continue ampliando sua liderança na produção mundial de alimentos.
Segurança jurídica é prioridade para o campo

Para Antônio Cabrera, a segurança jurídica é um dos pilares indispensáveis para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O produtor rural, afirma, já convive naturalmente com riscos climáticos, oscilações do mercado internacional e aumento dos custos de produção. Acrescentar insegurança nas regras e nas decisões governamentais dificulta investimentos e compromete o crescimento do setor.
Na avaliação do ex-ministro, o país precisa oferecer um ambiente que reúna estabilidade institucional, crédito rural eficiente, seguro agrícola fortalecido, infraestrutura adequada e regras claras para quem produz. Ele defende que a política agrícola brasileira deixe de ser planejada apenas a cada safra e passe a ser tratada como uma verdadeira política de Estado, capaz de atravessar governos e garantir previsibilidade aos investimentos.
Polarização compromete decisões técnicas no agronegócio
Outro ponto abordado por Antônio Cabrera é a crescente polarização política em torno do agronegócio brasileiro. Segundo ele, questões essencialmente técnicas acabam sendo transformadas em disputas ideológicas, prejudicando debates importantes sobre crédito rural, defesa sanitária, infraestrutura, logística, zoneamento agrícola e sustentabilidade.
Para o ex-ministro, decisões que afetam diretamente a produção de alimentos devem ser baseadas em conhecimento técnico, evidências científicas e planejamento de longo prazo, preservando a competitividade do setor.
Sustentabilidade deve ser defendida com ciência e transparência
Ao comentar o cenário internacional, Antônio Cabrera destacou que o Brasil possui uma das agriculturas tropicais mais eficientes e sustentáveis do mundo. Para ele, o país precisa comunicar melhor seus avanços em preservação ambiental, produtividade e tecnologia, respondendo às exigências dos mercados internacionais com transparência, dados científicos e rastreabilidade.
O ex-ministro também defende que o Brasil combata barreiras comerciais disfarçadas de preocupações ambientais e atue com firmeza para garantir reciprocidade nas negociações internacionais, valorizando o trabalho desenvolvido pelos produtores rurais brasileiros.
Direito de propriedade e ambiente favorável aos investimentos
A segurança no campo também foi destacada como um fator estratégico para o desenvolvimento do agronegócio.
Segundo Antônio Cabrera, conflitos fundiários devem ser resolvidos dentro da legislação, preservando o direito de propriedade e oferecendo segurança aos produtores para investir, ampliar a produção e gerar empregos.
Ele acredita que políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural devem priorizar assistência técnica, infraestrutura, conectividade, inovação, acesso ao crédito rural e aumento da produtividade, criando condições para que famílias rurais prosperem de forma sustentável.
Jovens representam a maior força do agronegócio brasileiro
Entre os temas que despertam maior otimismo em Antônio Cabrera está o crescente protagonismo dos jovens no agronegócio brasileiro.
Enquanto diversos países enfrentam dificuldades relacionadas à sucessão familiar no campo, o Brasil observa uma nova geração assumindo propriedades rurais com foco em gestão profissional, agricultura de precisão, inteligência artificial, biotecnologia, conectividade e análise de dados.
Para o ex-ministro, essa união entre experiência e inovação representa uma das maiores vantagens competitivas do agronegócio brasileiro.
“Se criarmos um ambiente de liberdade econômica, segurança jurídica, conectividade, infraestrutura e acesso ao crédito, o Brasil continuará sendo referência mundial em inovação, tecnologia agrícola tropical e sustentabilidade”, afirma.
Dia do Agricultor destaca a importância de quem produz alimentos
As reflexões apresentadas por Antônio Cabrera coincidem com a homenagem da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) ao Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho.
A data reconhece o papel essencial dos agricultores na produção de alimentos, na geração de empregos, no desenvolvimento econômico e na segurança alimentar do país. Também reforça a importância da inovação, da sustentabilidade e da dedicação diária de milhões de brasileiros que fazem do campo um dos principais pilares da economia nacional.
Ao homenagear os produtores rurais, a SNA destaca que cada safra representa muito mais do que resultados econômicos: simboliza trabalho, resiliência, compromisso com a sociedade e capacidade de alimentar o Brasil e grande parte do mundo.
O futuro do agronegócio passa por planejamento e valorização do produtor
Na avaliação de Antônio Cabrera, o futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de construir políticas públicas permanentes, estimular a inovação, garantir segurança jurídica, ampliar a liberdade econômica e criar condições para que as novas gerações permaneçam no campo com acesso à tecnologia, infraestrutura e oportunidades.
Mais do que celebrar o Dia do Agricultor, a data reforça a necessidade de reconhecer quem impulsiona um dos setores mais importantes da economia brasileira e de construir um ambiente que permita ao produtor rural continuar inovando, gerando empregos, preservando recursos naturais e levando alimentos de qualidade para milhões de pessoas.
Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).





